Sexta-feira, Julho 03, 2009

Cauã Reymond: o quinto Blur?

A "Total Film" homenageou o Blur na sessão "Songs That Could Be Movies" (canções que poderiam ser filmes).

É bem simples, eles pegam a música e criam um "plot"zinho usando a música como argumento. Na segunda história proposta pela redação, baseada na balada "To The End" (1994), eles escalam Cauã Reymond para fazer o papel de um dos adolescentes que fogem dos pais que, obviamente, não conseguem entendê-los.

Jean Charles (2009) Trailer Oficial Novo

Quinta-feira, Julho 02, 2009

Jean Charles II

É demorou para que eu escrevesse sobre "Jean Charles". Não foi falta de tempo. Assisti ao filme no dia 16, na pre-estreia do Iguatemi. De fato, a história de Jean Charles de Menezes é uma tragédia sem precedentes. O nome "De Menezes", de origem portuguesa, e de difícil pronúncia para os ingleses, foi repetido à exaustão no noticiário mundial e na impressa britânica nos anos que sucederam ao assassinato do eletrecista e faz tudo brasileiro que morava em Londres e foi "confundido" com um terrorista.

A partir daí eu passei a companhar quase que diuturnamente o caso. Li todo o tipo de reportagem, declarações da polícia e fiquei igualmente consternado com as promoções, afirmações falsas e toda a sujeira que uma instituição como a polícia inglesa pode se utilizar para conseguir se safar desse assassinato.

Em jogo, não estava somente a o prestígio da polícia (não raramente acusada de racista), mas sim os salários, aposentadorias e todo o tipo de benefícios aos seus funcionários. Sim, porque ao contrário do que acontece nas polícias brasileiras, profissão cujo sacrifício envolvido espera-se assemelhar ao sacerdócio, no Reino Unido, ser policial é um emprego qualquer, com salário decente e uma vida praticamente normal e não simplesmente o último refúgio para um emprego e a porta de entrada para um salário miserável - mas funcional, como é no Brasil.

"Jean Charles", com direção do Henrique Goldman, é um filme com altos e baixos. Os altos são óbvios, mas nem por isso pouco louváveis. A atuação de Selton Mello é muito boa, A de Luís Mello, no papel do primo, ainda melhor, e a natural Vanessa Gonçalves, no papel de uma prima, ainda melhor. A história é triste e já está vendida. É uma saga triste de um brasileiro fora de seu país, do "non-belonging" físico e emocional, de uma transferência geográfica dos problemas nacionais para terras estrangeiras.

No entanto, a participação curiosa de não-atores nos papéis deles mesmos, como personagens íntimos de Jean Charles, provoca um anti-climax perigoso, que pode forçar os mais sensíveis a sair da sala. Em uma das cenas a dublagem é horrorosa (parece que foi feita uma dublagem com uma atriz real sobre a fala de uma atriz amadora na primeira aparição da cabeleireira dos passaportes).

No final, a sensação é de uma perturbadora emoção predatória, gerada por um tardio funeral de Jean Charles. Ao sair do cinema, fica tudo misturado. A má-performance dos não-atores, a revolta com a polícia (inglesa ou brasileira, tanto faz, porque o que se critica aqui é a falta de poder do cidadão comum diante do poder policial. No Brasil, protegida pela corrupção; no Reino Unido, pelo corporativismo) e, o luto da morte do boa-praça criado por Selton Mello.

Sexta-feira, Junho 26, 2009

Michael

Nessa entrevista dada à Ebony, em 1982, Michael Jackson afirma:

"Eu tenho medo das pessoas. Eu cresci no palco. É de lá que eu sou."

Quarta-feira, Junho 24, 2009

Intermitências da Mídia

A genial Susan Sontag, autora de dois livros que não saem de minha mesa, é uma das intelectuais norte-americanas mais brilhantes do século XX (o que vale também para esse século, mas depois falo mais sobre isso.

A leitura de "A Doença como Metáfora" pode ajudar muito no entendimento de fenômenos midiáticos como reality shows e suas vítimas como Susan Boyle ou sua versão brasileira, pelo menos em termos de aparente colapso mental, Theo Becker, de "A Fazenda".

(...) A romantização da demência reflete da maneira mais veemente o prestígio contemporâneo do comportamento irracional ou bárbaro dessa verdadeira impetuosisade cuja repressão se acreditou outrora ser causadora da tuberculose e agora é considerada como causadora de câncer.(...)".

A tese de Sontag baseia-se na utilização de doenças como câncer e metáfora como significados para outras instâncias, perpetuando preconceitos em relação às doenças e colaborando para a instauração do caráter mítico sobre a origem, tratamento e cura.

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Jean Charles: Regras

No dia 17, dia seguinte à pré-estreia de "Jean Charles" no Iguatemi em São Paulo (no entanto tecnicamente no mesmo dia devido à diferença de fuso horário), o site do The Guardian noticiava que Tony Blair sabia das brechas na legislação que permitiam aos soldados britânicos questionarem prisioneiros que por ventura tivessem sido torturados por oficiais de outros países. Uma maneira tortuosa de atentar contra os direitos humanos.

Tanto quanto o Senado brasileiro, tanto quanto qualquer outra instituição do planeta, me leva a crer, a polícia britânica é cercada de regras e regulamentações que permitem, desvios. As leis são construídas de maneira a se não enganar o cidadão comum, confundi-los com falsas certezas, coroboradas pela multiplicação de artigos segretos e adendos.

Quando esses meandros legais se concretizam, como nessa filmagem do IPCC (orgão similar a uma corregedoria da polícia de Kingsnorth, na Inglaterra) e são levadas a público é que finalmente as letras pequenas se fazem legíveis.

[Em entrevista à Adriana Küchler, repórter da coluna Mônica Bérgamo, Goldman usou como comparativo para a tamanha comoção do caso da morte do brasileiro a absurda soma de 2503 mortes de suspeitos pela Polícia Militar em 2005, mesmo ano da morte de Jean Charles.]

Pelo menos desta vez, não houve até agora nenhuma declaração como a de Ian Blair, então chefe da polícia britânica, ao afirmar o vínculo do brasileiro com o terrorismo na época, ou de Lula, ao afirmar que José Sarney não é uma pessoa normal.

Terça-feira, Maio 26, 2009

A festa da Adidas e o Nazismo

Hoje, ao ler o Ilustrada no Pop encontrei um post sobre os comentários do blog de João Paulo Cuenca que ainda vai dar muito o que falar. Sobretudo por relacionar uma das marcas mais descoladas (além de ser uma gigante no ramo de sapatos esportivos) com um tema demasiado caro às empresas e ao povo alemão desde o pós-guerra. No post, João Paulo Cuenca comenta a presença de motivos como a suástica e até um retrato de um oficial da marinha nazista em uma festa patrocinada pela marca no Rio de Janeiro. Entre os comentários e posts relacionados na web, fala-se da falta da responsabilidade do produtor, da marca, do dono do imóvel e, em um comentário desastrado e mal escrito, até a presença dos convidados na festa. O post gerou matéria no Globoonline e certamente vai virar case de má administração da marca em uma época em que marcas (é assim no mundo todo) investem pesadamente neste tipo de ação de promoção. No blog da marca Adidas Originals convidados desavisados posam sem saber no mico. O assunto já contaminou a blogosfera.

Terça-feira, Abril 28, 2009

Lady BaBa

Musa gay e fashionista é trilha sonora para o combate à crise mundial.
Ela é loira, rica, nova-iorquina, faz música dançante e sempre quis ser famosa. O perfil não é de Paris Hilton, mas de Lady GaGa, novo fenômeno do electro pop mundial. Impulsionada pelo público gay e fashionista, GaGa conquistou o topo das paradas americanas e inglesas com Just Dance (que lhe rendeu uma indicação ao Grammy) e Poker Face, singles de seu disco de estréia, The Fame, (Universal).
Do Grind, na paulistana aLôca, à Heaven, em Londres, passando pela gigantesca América, em Buenos Aires, e ainda pelo circuito gay da Oxford Street, em Sidney, não seria exagero dizer que as músicas de GaGa dominam o globo 24 horas ininterruptamente - nem que seja globo de discoteca.
Fã de Andy Warhol e David Bowie, Stefani Joanne Germanotta freqüentou a Tisch School of Arts com Paris Hilton, em Nova York, antes de virar Lady GaGa (em homenagem à canção Radio Ga Ga, do Queen. Foi apadrinhada pelo rapper meloso Akon, e desde então, já escreveu letras para o retorno do New Kids on The Block e para o Pussycat Dolls, com quem faz turnê pela Europa.
The Fame é uma compilação de clichês sonoros do electro-pop, euro-pop, eurotrash, eurodance e r&b do início dos anos 90 – e vende. Sua música, elogiosamente associada a nomes como Christina Aguilera, Madonna, Kylie Minogue e Ace of Base é cheia de distorções previsíveis, melodias e batidas pouco convincentes e pegajosas. Os refrões celebram a futilidade das baladas, o luxo e a “submissão ativa” feminina em letras como “Boys, boys, boys/We like boys in cars/Boys, boys, boys/Buy us drinks in bars” (Garotos, garotos, garotos/Nós gostamos de garotos com carros/Garotos, garotos, garotos/ que pagam bebidas em bares)”, de Boys Boys Boys.
Vestida em calças plásticas coladas e cintilantes, óculos de grife e outros acessórios que podem ser encontrados na Daslu ou facilmente em qualquer barraca de camelô, Lady GaGa é uma proposta para a trilha sonora dos pacotes de incentivo ao consumo em tempos de crise. Seja original ou uma cópia barata, a “diva” está com tudo.
Depois da cobertura funesta da morte da ex-big brother Jade Goody, com o esfriamento da relação entre Madonna e Jesus e com o exílio de Amy Winehouse preparando seu novo disco no Caribe, GaGa ganhou a atenção dos tablóides britânicos pelo maneira pouco convencional de se vestir. Confiante, a moça já havia antecipado seu amor pela fama e pela luxúria como nas letras de Paparazzi, “I’m your biggest fan/I’ll follow you until you love me/Papa/Paparazzi (Eu sou sua maior fã/Vou te seguir até você me amar/Me ame/Papa/Paparazzi)” e de The Fame, na qual canta “’I can’t help I’m addicted to a life of material’ (Não tenho culpa se eu sou viciada em uma vida material’”.
E não estranhe se após a passagem do segundo carro da Parada Gay paulistana, em junho, você também não sair cantarolando frases como “I wanna take a ride on your disco stick” - algo traduzível, mas impublicável.

Terça-feira, Abril 21, 2009

Northern Soul na Ilustrada

São Paulo, quarta-feira, 18 de março de 2009

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MÚSICA

Filme contará história da música black inglesa
MÁRCIO CRUZ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A Motown repercutiu forte também na Inglaterra, gerou uma cultura underground, influenciou artistas atuais, como Amy Winehouse e Duffy, e agora é tema de um filme.
No início dos anos 60, portos do norte do país eram o canal de entrada para sucessos da música negra norte-americana.
Inflamados pelo som da Motown, adolescentes deram o pontapé para o northern soul, cultura underground pouco conhecida ainda hoje.
"Os discos de 45 polegadas atravessavam o Atlântico nos navios, chegavam a cidades como Liverpool e eram tocados em clubes de jovens", diz à Folha Mary Fox, apresentadora do programa "Northern Soul", da BBC Radio Stoke.
Nos centros industriais, a música passou a ser tocada em clubes noturnos, para um público mais velho. Casas como o Twisted Wheel (Manchester), The Mojo (Sheffield) e o Wigan Cassino (Wigan), considerada a melhor discoteca no final dos anos 70, lotavam com um público ávido para dançar um soul acelerado em roupas esportivas e sapatos de dança.
"Era uma maneira de escapar daqueles tempos difíceis", diz Shimmy Marcus, diretor de "Souled Out", filme em pós-produção com o Wigan Casino como pano de fundo e colaboração musical de Amy Winehouse e Mark Ronson.
Já nos anos 70, Dave Godin, jornalista de Londres, viajou até o norte, ficou impressionado com o que viu e batizou a cena de northern soul (soul do norte). Singles de cantores como Tommy Hunt, Edwin Starr, Martha Reeves e outros, de gravadoras como Stax, faziam tanto sucesso que eles chegavam a gravar músicas no tempo acelerado específico dessa cena. Outros, como Johnnie Taylor, chegaram a morar na Inglaterra. "Nós conhecíamos mais esses artistas do que os norte-americanos", conta Russ Winstanley, DJ fundador da noite de northern soul do Wigan Casino e apresentador da BBC Radio Lancashire, que vê uma tardia, porém bem-vinda, popularização do estilo.
Para Winstanley, "muitos DJs em busca de música nova estão descobrindo o northern soul". Segundo ele, só a Motown tem mais de 5.000 músicas não lançadas. Um paraíso para os amantes do estilo.

Quarta-feira, Março 04, 2009

The Specials - A Message to you, Rudy

Claaaassssic! Olha lá o Dammers saltitante!

The Specials - Friday night, Saturday Morning

Fazia já algum tempo que não lia algo tão constrangedor quanto o apelo de Jerry Dammers, fundador e tecladista do The Specials, para fazer parte da turnê de reunião do grupo neste ano.

Em um ponto de sua carta, Dammers soa até infantil. "Eu acho essencial que se nós tocássemos em algum lugar, esse lugar deveria ser Coventry, que é nossa terra natal".

O que Dammers não parece entender aqui é que tá todo mundo é atrás de uma bolada para pagar a casa-própria.

E foram-se os tempos onde era possível pular a catraca do metrô. Hoje em dia é bala na nuca.



Terça-feira, Março 03, 2009

Guess who's back?

Os portais de notícias ingleses vibram com o anúncio de uma turnê de Michael Jackson no Reino Unido [no Guardian e na BBC]. Os shows, a exemplo da próxima turnê de Britney Spears e da turnê de Prince em 2007, será realizada na O2 Arena.

Fico imaginando se essa vai ser de fato uma turnê ou uma série de encontros com fãs e autógrafos como Jackson está acostumado a fazer no Japão.

Mas acredito que em tempos de crise, Michael não terá coragem de deixar seus fãs na mão.

As datas deverão ser anunciadas durante essa semana e é claro, que quando postos a venda, os ingressos se esgotarão em questão de segundos (nenhuma semelhança com a desorganização da venda dos ingressos da turnê brasileira da Madonna deve ser vista).